Maleime

Eu já temi muitas coisas na vida.

Mas, nos últimos anos,

temi a grandeza de mim mesmo.


Temi minha fúria.

Temi meu riso.

Temi minha precisão.

Temi meus olhos.

Temi, inclusive, minha intuição.


Padeci em meu próprio erro.

Não recomendo.


Por ter medo de mim,

pus certezas e confianças justamente

em quem eu deveria ver longe de mim.


E não houve banho de erva,

reza bem-feita,

que arrancasse de mim o terror de,

já desperto,

o buraco em que me meti.


Temi a fúria dos homens.

Temi línguas malditas.

Temi caminhos cruzados,

rezas contrárias.


Maleime… maleime…


Não houve bença de mãe.

Não houve bolinho de chuva.

Não houve sequer o brilho da lua

que me devolvesse

a confiança em gente ruim.


Agora, quero saber de mim.


Ori é forte.

Ori é belo.

Ori, cuide de mim.


A reza dos antigos

me salvou, mais uma vez,

de mim.

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