Eu aguardo a tempestade. 

Desde que eu me encontre em suas águas que desanuveiam os olhos e deslizam minhas incertezas morro a baixo, não me preocupo de desmanchar as voltas dos meus cabelos que tendem a segurar com firmeza o fluxo do meu pensar. 

Na tempestade sinto balançar meus alicerces e contrapor a secura da rotina que insiste em me acorrentar. 

De tempestades tenho desfeito nós e laçado aquilo que não quero que a enxurrada arraste porque nem sempre estou pronto pra desapegar. 

Mas como Deus só me deu dois braços, deixo o que não posso conter ir rio a baixo e rio alto ainda buscando força pra me aguentar. 

De verdade na tempestade eu desaguo, porque muitas vezes não me lembro de que a água um dia desce forte do céu e aquilo que não tá seguro perece. 

Mas sabe que é até bom perecer? 

Enrugado já algum tempo, minha pele após a tempestade, algumas cores antes vivas agora pastéis pelo meu corpo e tudo que vejo é novo. 

Tempestade convida o celebrar. 

O radiante do sol maior em meus lábios e mesmo com tanto descompasso, ergo a cabeça, e agradeço mais um desabar.

Comentários