Minuto
E nesse minuto que paro
Me reencontro com trechos de quem fui
Hoje coloco à disposição
minhas páginas viradas
Para abrir novos livros, humanos
Ainda por escrever
Em suas páginas em branco
Minha ansiedade pulsa e caminha comigo
Meus impostores me ensinam
A ser malandro e sagaz
Não é didático, nem ostentação
Não é servidão
Nesse minuto que paro
Sou eu, minha negritude em ação
Sou eles
Sou deles
Hoje olho no espelho e me refaço
Me escolho melódico
Me componho de frequências de cura
Santificado em mantras
De abre de caminho
Mesmo que haja medo não paro
Mesmo que haja medo não calo
Mesmo que haja medo não passo
Serei fortaleza
Serei potência
Serei Evaristo Trindade de Jesus Leão
Serei Ogunsi Sankofa Ayala
Serei Palmares Canudos do Engenho Velho
Serei Ori Axé
É nesse minuto que paro
Que refino meus olhos
Aguço meus lábios
E permito que tudo se faça
Da maneira que o destino
Permitir agir.
Não levarei frustrações para casa.
A benção meus mais velhos.
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