A maior parte de mim
Gostaria de acolher
as vinte e nove versões
Anteriores de existência.
A versão sete que aceitou
A treze que rompeu pactos silenciosos
A dezessete que descobriu amigos
A dezoito que se arriscou
A vinte e um que realizou
A vinte e três que amou demais e desencarnou
A vinte e nove que reconectou
A trinta...
Eu quero acolher
Mas quero deixá-las lá também
Quero lembrar como amigos
Que partiram...
Não quero me esforçar,
Fazer sala pra que se caiba
Não quero servir bolinhos ou chá
Quero o silêncio e a tranquilidade
Dos meus próprios conflitos.
Não quero carregar peso extra.
Muito menos,
os sonhos que não me pertencem.
Quero realizar o sonho da casa própria.
Quero ligar o foda-se de madrugada
Quero apertar os cintos e balançar
Quero navegar em lágrimas que são minhas
E colocar colher de boca no meu próprio doce.
Quero rir para o bojador,
E cantar embaixo d'água.
Quero ser ouvido por fantasmas
E ser absoluto ocaso
No meu próprio horizonte.
Quero ser como Creonte.
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