Como se acessa um corpo-diáspora?

Corpo que carrega fragmentos sutis de violações diversas

Corpo que tem memória de desleixo, de abandonos, de bloqueios historicos de seus pertencimentos, de seus potencializadores. 

Quem acessa o corpo-diasporico tem que saber que o beijo na pele preta dói um alivio na alma, de ser percebido, dói o não estranhamento pelo desafeto da cor. 

Nunca se ouviu uma bixa preta escravizada que amou livre seus dias, ainda hoje dificil a referência da que, acolhida, sentou-se a mesa pra compartilhar afeto que tanto lutou.  

Quem acessa um corpo-diaspora precisa saber que a pele queima ao ser tocada, as marcas deixadas pela dor da chibata; as cordas que amarram no parapeito, no poste, no sol quente da solidão.

Quem vê o sorriso negro nao consegue ver, o amor na pele  preta dói ansia de afeto, dói alivio na alma, dói o não estranhamento pelo desafeto da cor.

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