Oração - Ou o feitiço dos Montes.

Lilás, verde, azul
Aroeira, anis estrelado, masala.
Fogo, jarro d'água.
Temperança, Carro, Estrela.

O folguedo já cessou o canto,
Também encerrou os fogos no quintal,
Os cheiros dos quitutes casuais, risos e lembranças.
Tinha aquele modo de dançar desajeitado, que todos riam, me fazia feliz...
Estrelas, pontiagudas aos montes no firmamento.
A madeira estalando, me deitei, na carne quente pulsante.
Que verdade foi o instante. O impulso errante de quem não se escondeu.
A bandeira de madeira, em bananeiras, brasilidade entre os dedos meus, pedi
Pedi aos ansciões que me escutassem, porque amor gritado no peito dói.
Pedi ao canavial sua jornada, ao Boi sua ousadia,
Aos Jongueiros a benção.
Queria errar, queria provocar e sem medo, unir os elefantes esquecidos no porão.
Que verdade foi o instante. O pedido incerto de quem do amor não viveu.

Amarelo e Vermelho misturado.
Lua grande, palo santo, fumo para enrolar.
Saia rodando, riso largo,
Eremita, Roda da Fortuna, Sol.

Foi logo depois do contar de anos,
Manhãs chuvosas, dias de aula, metrô
Onde anos mais tarde um beijo roubado
Acenderá de novo o incêndio que já acabou.
De partida ou correndo, tempo é muito pra curar?
Soprado com rajadas de vento, pedido forte dado à mão do Orixá.
Queima. Corroi. Mas não morre.
"É fogo que arde sem se ver".
Noticia que corre pelo vento, Luar tem fase,
Mas corpo é memoria viva, ainda há sangue a correr.

Hortelã, Bolo de Milho, Jaboticaba
Um ferreiro, uma sereia, Reza
Tempo é conselho, Tempo é Lei
O Louco, a Morte, o Rei.

Comentários