O Conto do Jarro e a minha paciência em momentos de solidão
O
meu assunto maior tem sido a minha calma na solidão.
Durante
o tempo em que mantive relacionamento
com alguém, era notável minha total falta de habito com a calma.
Como
um cãozinho que não quer parar nunca uma brincadeira, era eu, em minha
necessidade involuntária de estar com o outro, mais ainda o peso da idéia de permanência.
Com
os dias fui notando que meus hábitos lembravam a forma maternal com a qual
sempre mantive meus amigos, no entanto, de forma mais ampla e as vezes
desmedida.
Me
lembrou um tanto um caso do jarro d'água:
Há muito tempo em um lugar longe daqui, onde eu morava, havia necessidade de se
coletar água da chuva para os afazeres do dia a dia, então deixávamos ali, dois
grandes jarros para serem enchidos; cheios os dois jarros eram colocados para
dentro. Serviriam na cozinha ou no banho.
A
cada uso desses jarros, entre os moradores sempre havia uma consciência de
racionamento, para que as tarefas fossem feitas sem preocupações até a próxima
chuva.
Imagine
agora esses jarros como um relacionamento:
Os dois
grandes jarros postos para as tarefas cheios de um sentimento que cresceu
durante a chuva. O uso diário poderia fazer com que um se esvaziasse mais
rápido, mas o que há em um não deixaria o outro sobrecarregado por um longo
período de tempo; se alguém retirasse mais água do que poderia do jarro faltaria
para todos em algum momento.
Durante
o relacionamento era comum pra mim doar essas doses largas de água, sem me
preocupar em racionar.
Meu
jarro sempre terminava vazio por longos períodos de tempo ate a próxima chuva.
E o jarro ao lado, tinha água demais para as outras tarefas diárias, por muitas
vezes fui posto para o lado de fora para esperar a próxima chuva sozinho.
Assim,
foi quando comecei a compreender a solidão e o momento de me reencher.
Meu
jarro nem sempre estava completamente vazio. Claro que não serviria mais para
os serviços diários, mas era um jarro bonito que muitas vezes serviu de peça de
decoração a ser admirado, como jarro, dentro, havia ar circulante. A água
parada no fundo do jarro secava com os longos períodos de sol, deixando o lado
de dentro mais livre para a próxima chuva.
Nos
longos períodos de espera descobri o silêncio, descobri o som do ar circulante,
descobri os sons ao redor, e a me esvaziar por inteiro... Aprendi que rachaduras
vem com o tempo, que calor demais ou frio demais são péssimos remédios para um
jarro.
Ao
me reencher decidi perceber o passado, e notei que muitas vezes encontrei
jarros vazios, rachados ou até tampados. Minha água para as tarefas diárias
secava e as vezes estava do lado de dentro chovendo para o outro jarro enquanto
abundante era a chuva lá fora. Quando minha água secava, era posto para fora.
Minha
impaciência gerava-se do não compreender da falta incansável de água.
Não
seria simples a chuva cair? Ou repartir a água que dei!? Era obrigado a
permanecer só longos períodos no tempo. E neste período compreendi que por
vezes a água a conta gotas do outro jarro por vezes não me serve; também porque
o tempo traz o necessário da chuva para me encher e que eu devo estar atento.
No
tempo o ar refrigera, o sol seca a água parada do fundo do jarro. Dia e noite
com sons do ar circulante. Calma.
Hoje
sinto que minha consciência de solidão não sofrida vem da falta de tempo em
encontrar nós na solidão. Ela desde que me lembro sempre foi minha maior
companhia quando precisei me reconstruir, mais ainda quando precisei de mim
mesmo, que sempre estive aqui.
Daí:
Calma.
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