Samba Enredo - Soneto

O tempo senhor de tudo
No espaço de abraços brandos nos envolveu
Cada qual com sua valia
Cada qual com seu encanto
Samba enredo, bater de pés unhas multicor.
Sou eu aquele que espera
Aquele que deixa o vento soprar, a onda bater e me dar quando quer seus segredos.
Aproveito bocados sem medo, sem enraizar.
Voo com o vento, corro como lágrima no rosto sereno de Iemanjá.

Contudo, sei pouco de quem és.
Mas no espaço de um abraço, fomos bites de emoções que se juntaram, nesse encontro de carne e samba enredo.

Fomos ali, num quadro de apego, que será apagado e de fato se tornará memória.

Que possamos escrever sobre cafés da manhã ou almoços, ou jantares velas ou incensos. De risos intensos na madrugada...

De açúcar que adoça o sabor do amargo silêncio.

Serei ainda aquele que espera, des'ague em seu tempo seus segredos.

E mesmo que no espaço de um abraço, lembre-se desse nosso samba enredo.

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