Atinei-Me de mim

Sentei embaixo de uma árvore
E bebendo meu café
E rindo com amigos
Me dei conta da ausência do vazio.
Completo, atentei-me ao que carrego em minha bagagem
Pimenta de cheiro, palo santo, rendas bordadas, cestos, fitas do senhor do Bonfim.
Boi, ciranda, rodas de jongo
Cantos de longe que ensinaram pra mim.
Desses tantos, trago historias
Trago memórias
Vidros de mar derramados outr'ora.
Trago os santos da minha casa.
A crença dos meus pais.
Aquelas que aprendi,
Mandingas de vó para a feitura da comida,
Sabedorias de mãe pra espantar o que nao é bom.
Algumas flores, alguns quadros sempre perto do peito
Oliveiras e Carvalhos emolduram o que vivi.
De minha terra, o valor do caminho.
Das terras que ando, o valor do trabalho
Das terras que deixo, o valor da memoria
Onde murmuram retalhos de historias afeto e respeito.
Sou o que ecoa no vento e o que resulta no germinar.
A ideia que cria-se no vazio de casa nova
No cheiro-verde que aroma o jantar.
Sou este que venera a sombra da árvore
Saboreando um café
Completo-me comigo em tempos antigos
Me encontro, memorizo.
Transformo em canção de amor e fé.

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