O que não soube dizer

Me pergunto se há de ter uma saida da escuridão que me cobre:
No gramado verde e umido dos jardins limpos da cidade, o contraste do que nao come a dias, e ganha olhares tortos atravessados.
Na salas  a meia luz dos centros, arrogantemente abre-se vinho que entorpece os risos
Não cabem o caminho pelos trilhos feitos diariamente pelos meus iguais.
Não cabe as lágrimas solitarias, nem o estomago vazio...
Não cabe o que vaza do outro ouvido, a faca bruta dita a empregada
Não cabe o coração arrancado após ser usado no sexo da pela escura
Não cabe o beijo negado ao gênero que flui e luta.
Não cabe o sangue que escorre, do homem encarcerado na estigma de seu corpo pobre.
Me pergunto se há de ter um abrigo, um lugar onde não nos atinja o frio dos predios colossais.
Das grandes marmitas frias de sonhos que nutrem-se de competições e regras, de jogos desumanos e que no fim enchem os bolsos de outro. Pagam jatos e viagens longe desse preto e branco.
O que ha de ter alem dos portões que nos cercam?
O mar terá sabor diferente do concreto?
O céu terá frescor eterno?
Meus companheiros poderão enfim brindar ao amor sincero?

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