D. Yukiko

A passos rapidos, entrou no metro sentido Jabaquara D. Yukiko, sem apoiar-se em nenhum canto do vagão, dobrou um pouco os joelhos e firmou-se sobre o pequeno salto bege daquela botinha toda fechada de couro.
Em suas mãos uma pasta elegante, cabelo curto e um ar aspero de quem vai ao trabalho.
O que me chamou a atenção foi a conversa de D. Yukiko ao telefone, certificando-se que sua filha esta bem. De surpresa, voltou seu olhar a mim e com a voz firme disse: "está em trabalho de parto!".
Duas estações haviam passado, mas naquela fala, varias primaveras de sua filha rebobinadas em seu olhar... Era visivel o ar preocupado e mesmo assim contente de D. Yukiko.
Ao encerrar a chamada, ela se apoiou com a mão espalmada sobre o vidro da porta, me perguntou sobre qual estaçao estávamos, de pronto respondi: "Paraiso".
Ela sorriu, e ao decermos juntos ela em tom sarcástico me retrucou: "como se a vida nao tivesse dificuldades não é mesmo?".
Não se despediu, dissipou-se na multidão; com ela, o sonho da calmaria em meu coração.

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