Cinzento Coração Sem Pulsar

Contorcendo,
Em prantos de outr'ora
E gritos que se findaram
Tempos atrás.
No estomago vazio,
O corpo curvado
Espera,
Chicotadas do tempo
Pedradas de lamentos
Tantos eram os sentimentos
Afogados em sal-mora de solidão.
Estava a beira de um novo rumo?
Estava a sonhar com um belo mundo?
Iludido pôs-se a cantar.
Seco em peito cinzento
Nada mas que carne e tormento
Sem voz,
Sem o que honrar.
Iniciou seu futuro sangrento,
Pois não há quem lhe tire do peito
O punhal cravado pra matar...
Contorcendo
Em prantos de outr'ora
Sem mais sinal de aurora
Não se ouviu nunca mais
O cantar.

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