Olhos de Carne
Eu não ouso amar-lhe com os olhos de carne que tenho
Pois o que vejo não é ser humano,
Incompreensível aos olhos insensíveis e cobertos de pó.
O que sinto na carne não condiz,
O que sinto não é dor, nem ferida...
Não é ternura, nem rancor...
Sentir aqui é além do mais alto degrau,
Sentir aqui é vida além da moral
Eu não ouso amar-lhe com os olhos de carne que tenho
Pois meus olhos na carne que tens me queimam o pensar...
Meus olhos mascaram o que eu sinto, com um outro enxergar...
Imagine você,
O que irradia em mim faz-me florescer
Campo aberto, menino – eu – a correr.
Eu não ouso deter-lhe com as mãos,
Elas não lhe deteriam, nem causariam dano...
Pois as mãos de carne que tenho não lhe sentem,
Eu lhe presenteio com meu cantar...
Vivo como fogo, intenso como o ar
Cantar é minha fuga, para nós criemos um lugar...
Fumaça do incenso, Cores dançantes no cosmo a brilhar...
Tons, Harmonias, Melodia vulgar.
Eu não ouso amar-lhe com os olhos de carne que tenho,
Cantando espero assim lhe tocar.
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