Quero ser ventania.

Quero ser ventania.
Quero puxar-te 
Voar-te
Soprar-te por campos verdes
Cidades cinzentas 
Entre fuligens, canela 
Carvão.
Café torrado nas prateleiras, 
Aromas que só eu – Vento – 
Sou capaz de carregar.
Inale-me 
Consuma-me
Deleite-me em sabores que 
Completam-te seus dias,
Completam-te seus espaços,
Saboreie-me, 
Salive-me,
Sendo eu ventania, tu serás 
Poeira viva que carregarei 
Em meus dias de imensidão.
Ventania de sentir.
Nunca de solidão.

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