Desabafo 07

Estou feito peteca
De um lado me batem 
Do outro tentam me acertar. 
Mas no meio disso o ar me gela

Acertam me e caio. 
Em denso concreto "realidade"
Reflito o vôo...
No que errei? Pra onde corro?

Entrei numa cilada 
Ao aceitar os meios e entradas
Quis ajuda! Morro aos poucos!
Por dia um pouco mais...

O que havia de mim em mim
Aos poucos foi sumindo,
Estou em pranto
Desejo e temo...

Temo o desprezo da vida 
Onde eu fico estático 
Onde o universo para
E eu não tenho nada...

"Sabe o concreto?
Nele não há ar
E impede que as pessoas
Toquem a terra úmida 
Abaixo dela...
Eu estou entre o concreto
E a terra!
Se eu descer não conseguirei
Germinar...
E não há como subir e ver a luz do sol"

Sou deserto de mim
Grãos incessantes de areia fina
O vento me leva 
E eu continuo areia. 

Deus tenha misericórdia 
Minhas promessas atrasam dia a dia
Minhas conquistas demoram ainda mais
Minhas lutas: Incessantes. 

O que acontece comigo afinal? 
Onde estou e quem sou agora?
Preciso aprender...
Preciso de calma!



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